A organização da FEB

 

31 de dezembro de 1942:

durante um almoço com as forças armadas, Getúlio Vargas afirmou que o Brasil não se limitaria ao fornecimento de materiais estratégicos para os países aliados e que “o dever de zelar pela vida dos brasileiros obrigados a medir as responsabilidades de uma possível ação fora do continente. De qualquer modo, não deveremos cingir-nos à simples expedição de contingentes simbólicos”. Alguns dias após a declaração de Vargas, o ministro da Guerra Eurico Gaspar Dutra apresentou um memorando ao presidente indicando que o contingente a ser enviado para o exterior deveria compor-se de cinco divisões, totalizando cem mil homens.

 

em fevereiro de 1943:

durante o encontro que manteve com Vargas em Natal, o presidente norte-americano Franklin Roosevelt mencionou a possibilidade de o Brasil enviar tropas aos Açores e à ilha da Madeira. Vargas lembrou que esse envio dependia do recebimento de equipamento bélico para o Exército, a Marinha e a Força Aérea, prometido pelos EUA. O envio de tropas brasileiras ao exterior despertava internamente opiniões divergentes. Do lado norte-americano tampouco existia um consenso, opondo-se Roosevelt ao Departamento de Guerra, que considerava problemático o transporte das tropas brasileiras para a África.

 

05 de março de 1943:

o presidente Vargas aprovou o memorando de Dutra sobre a força expedicionária, ressalvando, contudo, que o envio de tropas dependia do recebimento do material bélico necessário ao aparelhamento tanto da força expedicionária como da tropa que deveria guarnecer o território brasileiro.

 

09 de agosto de 1943:

finalmente, pela Portaria Ministerial nº 4.744, publicada em boletim reservado de 13 do mesmo mês, foi estruturada a FEB, constituída pela 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE) e por órgãos não-divisionários.

A 1ª DIE, comandada por um general-de-divisão, deveria compreender: um quartel-general constituído de estado-maior geral, estado-maior especial e tropa especial; uma infantaria divisionária, comandada por um general-de-brigada e composta de três regimentos de infantaria; uma artilharia divisionária, comandada por um general-de-brigada e composta de quatro grupos de artilharia (três de calibre 105 mm e um de calibre 155 mm); uma esquadrilha de aviação destinada à ligação e à observação; um batalhão de engenharia; um batalhão de saúde; um esquadrão de reconhecimento, e uma companhia de transmissão (na verdade, de comunicações). A tropa especial, além de seu próprio comando, deveria incluir o comando do quartel-general, um destacamento de saúde, uma companhia do quartel-general, uma companhia de manutenção, uma companhia de intendência, um pelotão de sepultamento, um pelotão de polícia e uma banda de música.

Ainda no mês de agosto, o general João Batista Mascarenhas de Morais, comandante da 2ª Região Militar, foi convidado pelo ministro Dutra a chefiar uma das divisões da FEB. Vários generais, entre os quais Valentim Benício, Amaro Bittencourt e Francisco Gil Castelo Branco, teriam sido consultados para exercer o cargo.

O general Estêvão Leitão de Carvalho era o nome da preferência de Osvaldo Aranha, não só por ser seu amigo, mas também por ter sido encarregado das negociações em Washington sobre o envio da FEB à guerra. Partindo em seguida para os EUA, o general Dutra foi portador de uma carta de Vargas a Roosevelt em que o presidente brasileiro expressava o desejo do Exército nacional de participar ativamente da guerra.

Durante a fase de estruturação da FEB vários oficiais brasileiros foram enviados aos EUA para participar de cursos em bases militares norte-americanas. Em sua maioria, esses oficiais passaram três meses na Escola de Comando e Estado-Maior de Fort Leavenworth, no estado de Kansas. Esse estágio permitiu que os oficiais brasileiros se familiarizassem com os métodos de luta norte-americanos, destinados a substituir os métodos franceses, até então empregados pelo Exército no Brasil. Orientado no sentido de movimentos rápidos e audaciosos, altamente motorizados, o novo método reduzia as marchas a pé e a utilização de cavalos. Os norte-americanos propunham ainda a padronização das armas, cabendo aos brasileiros os calibres de 105mm e 155mm, de que o Brasil ainda não dispunha.

Segundo Mascarenhas de Morais, muitos obstáculos tiveram de ser vencidos na organização da FEB. Alguns ligavam-se à substituição dos métodos de luta franceses pelos norte-americanos, outros, à forma como foi selecionado o contingente de tropa, sem critérios rigorosos físicos ou intelectuais. Havia ainda as dificuldades interpostas por elementos do governo simpatizantes dos países do Eixo. Nos últimos meses de 1943, ficou decidido que o Brasil enviaria um corpo expedicionário para lutar no Mediterrâneo.

 

30 de novembro de 1943: 

foi designada a Comissão Militar Brasileira, que, sob a chefia do general Mascarenhas de Morais, tinha por objetivo observar de perto o teatro de operações no Mediterrâneo. Além de oficiais brasileiros, a comissão era também integrada por oficiais norte-americanos. Pouco antes de regressar da Itália e da África, o general Mascarenhas foi nomeado oficialmente comandante da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária.

 

15 de maio de 1943:

no Rio de Janeiro, foi instalado o Estado-Maior Especial, com a função de planejar e executar o embarque da 1ª DIE, dividida em vários escalões. Era integrado por três oficiais do Estado-Maior Divisionário, o coronel Lima Brayner e os tenentes-coronéis Amauri Kruel e Humberto Castelo Branco, e dois membros da Missão Militar norte-americana, os tenentes-coronéis Sewel e Strong. A representação da FEB no interior coube ao general Henrique Teixeira Lott, e a supervisão, ao general Hayes Kroner.